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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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A espinhela caiu

Falando com o Rodrigo sobre espinhela caída, lembrei de quando eu era criança e minha avó sempre dizia que eu tinha isso quando me sentia meio mal sem outra explicação. Daí ela, que é benzedeira e mão-de-santo, pegava uns galinhos de arruda (que fediam pra caramba) e ia cruzando-os sobre meu peito, dizendo palavras sussurradas que eu adoraria saber quais eram. Não lembro se isso adiantava pra alguma coisa, mas é uma lembrança interessante.

Como o Rodrigo nunca tinha ouvido falar em espinhela caída, fui pesquisar na internet. Achei algumas coisas interessantes. Primiero:

"Espinhela é nome vulgar do apêndice cartilageíneo alongado, que termina inferiormente o esterno, chamado também apêndice xifóide." (0)

Uma dica para curar a doença (é doença?):

"Para curar espinhela caída, coloca-se a pessoa doente de costas para outra, sã. As duas enlaçam os braços e a boa se curva para a frente, suspendendo a pessoa doente em suas costas. É importante que a pessoa levantada esteja bem relaxada. Faz-se isso três dias seguidos, e ela estará curada." (0)

O primeiro médico a vir ao Brasil, lá no século 16, já curava espinhela caída... "Este conceito de espinhela caída já existia entre os ameríndios antes da chegada da ação civilizadora". (0)

Minha avó não é tão maluca assim.

Dos tempos de escola ... (parte 5 - Mijei na aula)

1988 copy.jpg

Na segunda série tirei essa outro foto fingindo escrever alguma coisa. Lembro que enquanto o aluno era fotografado, os colegas ficavam no canto do colégio, se escondendo do sol. A professora era a Léa, filha do Dijalma, que era amigo da minha vó; por isso ela me conhecia desde menor e me tratava bem.

Foi durante uma aula de técnicas agrícolas do Celso que me ocorreu minha maior vergonha na escola. Ele passou alguma coisa no quadro pra gente copiar e saiu da sala, antes dizendo que não era pra ninguem se levantar. Eu tava com muita vontade de ir ao banheiro. Não deu tempo de pedir e fiquei esperando a sua volta. Mas ele não voltava. Ele não voltava. Ele não votava. E, antes e sair, tinha dito que não era pra ninguém se levantar. Ele demorou demais e eu me mijei.

Sentado na cadeira, no meio da sala, torcendo pra que ninguém visse. Mas o Clayton, que era filho da Léa, obviamente viu e avisou pra todo mundo. Todos riram de mim. O Celso veio e me perguntou: "por que tu não foi ao banheiro?". Ora, como poderia ir, se ele mesmo disse que ninguém podia se levantar?

Nesse dia quem me buscou foi meu pai. Eu tava com uma bermuda escura, não dava pra notar que estava mijada. Mas alguém avisou ele. Ele não falou nada, eu acho, mas eu me senti péssimo.

Tudo, tudo, tudo! Sai, sai, sai!

rrsoares.jpg

Ontem, ao amanhecer, enquanto me preparava para dormir, assisti a alguns minutos do fascinante programa Show da fé, do "missionário" R.R. Soares, na Bandeirantes.

Pra iniciar, a leitura da carta de uma mulher reclamando que a sogra infernizava a vida dela e do marido. O missionário, muito certo, aconselhou-a a se entregar à palavra de Jesus e amar sua sogra. Quando ela amasse a sogra, todos os problemas desapareceriam.

Em seguida, a pregação de um pastor. Inspirado talvez pelo Espírito Santo, ele gritava:

"Ó meu Deus, liberte essa pessoa da diabetes! Ó meu Deus, da pressão alta! Essa cólica crônica vai embora em nome de Jesus! Vai embora agora esse barulho na cabeça! Vai embora todo mal cardio-vascular! Essa doença que está na boca do esôfago, desapareça! Esse mal que está no canal do reto saia! Saia da próstata desse homem! Saia dessa pessoa toda maldição! Porque nós determinamos isso. Tudo, tudo, tudo, tudo! Sai, sai, sai, sai!"

Depois da "oração", o pastor pergunta para a platéia quem ficou curado ali naquele momento. Vários levantam o braço e lá vão os assistentes, com um microfone, dar voz aos desvalidos:

- Há mais de 5 anos eu sofro da coluna. Agora eu tô bom!
- Eu tava com alergia aqui no pescoço há mais de 3 anos. Agora saiu.
- Dor no joelho direito. Passou.
- Dor no braço e muita friagem. Passou agora mesmo.
E uma menina, de uns 12 anos:
- Tava com muita dor de barriga.

Todas as palavras foram transcritas exatamente como ditas no programa. Devo admitir que eles têm um bom roteiro.

Quando fui fazer minha mudança, há quase dois anos, o motorista do caminhão me falou sobre o "missionário" e disse que ele é um homem santo.

O Papa que deu à luz

Tá na revista Veja:

Diz uma lenda que Bento III não foi o sucessor direto de Leão IV. O verdadeiro sucessor teria sido João Anglicus, o papa que na verdade era mulher e foi descoberto quando deu à luz, durante uma procissão.

Pelo que eu pude pesquisar até agora é só uma lenda mesmo, sem nem uma prova e muito pouca possibilidade de ter acontecido...

Mas é uma história fascinante, colocarei aqui outro dia.

A felicidade é uma arma quente

Happiness is a warm gun
Happiness is a warm gun
When I hold you in my arms
And I feel my finger on your trigger
I know no one can do me no harm
Because happiness is a warm gun
-Yes it is.


(Lennon e MacCartney)

Sensucht...

Hoje o vácuo estava por perto e eu lembrei de versos que têm muito a ver com o que eu sentia:

Sensucht verstekt sich wie ein insekt

É da música que dá título a um disco da banda alemã Rammstein. A música é Sensucht e as palavras significam "a saudade se esconde como um inseto".

É verdade. Quando achava que já não existia, ela apareceu.

Me lembro agora também da última frase do filme Central do Brasil. Dora indo embora no ônibus, Josué correndo ao amanhecer e a voz sobreposta de Fernanda Montenegro dizendo "Tenho saudades do meu pai; tenho saudades de tudo". É lindo.

Eu não estou com saudade do meu pai, talvez, mas tenho saudade de quem estava comigo nessas últimas três semanas e não está mais. Agora eu sinto muita sua falta. Uma falta mais emocional que física, já que estivemos juntos não muito tempo durante o período.

Mas como é bom ter alguém em quem pensar!

Ele assumiu

Eu perguntaria a Deus por que pessoas existem.

Notícia no Fuxico:

"Pamela Anderson diz que J-Lo cheira mal

Pamela Anderson não faz por menos. Ela garante que a atriz e cantora Jennifer Lopez cheira a cachorro molhado. O motivo da crítica da modelo e atriz deve-se à insistência de Jennifer em usar peles de animais.
Pamela diz que a campanha contra gente idiota como Jennifer Lopez e P. Diddy continuará em todos os eventos públicos que eles apareçam."


Outra manchete perfeita no Yahoo! Notícias:

"Papa Bento XVI assume"

Ray é o cara

ray.jpg

O que me ficou de Ray: a música. Sim, vou lembrar da interpretação do Jamie Foxx, sim, vou lembrar da vida do artista, sim, vou lembrar das apresentações bem fotografadas. Mas não vou lembrar mais disso do que lembro de Tina (com Angela Basset também arrasando na pele de Tina Turner).

Mas o que me ficou do filme foi, fundamentalmente a música de Ray Charles que eu, até então, quase ignorava. Conhecia já várias das suas composições, mas não cantadas por ele. Agora eu sei que aquelas músicas são desse cara cego que se balançava ao piano.

As músicas são muito bem usadas dentro do filme, todos os números musicais (no palco ou em estúdio) são bem dirigidos e fazem sentir a força que o cara tinha.

A melhor dessas cenas é quando começamos a ver violinos... uma orquestra toda de brancos claríssimos no estúdio, tocando os primeiros acordes de Georgia on my mind. Ray Charles ao piano e no fundo um coro de negros. Confesso que acho a música bem sem graça, mas no filme ela ganha alma e emociona...

A cena marca uma nova fase na carreira dele, quando começa a gravar música country. E isso é muito bem mostrado pelo roteiro, quando coloca do lado de fora do estúdio sua backing vocal e um dos músicos que tocava com ele, se perguntando o que seria das suas carreiras agora.

O final repentino é meio estranho...

Dos tempos de escola ... (parte 4 - A merendeira)

Quando entrei na escola, o Bento era só um bloco com 4 salas de aula, mais a secretaria e a sala dos professores, onde ficava o mimeógravo (que um dia, muito feliz, deixaram eu usar; passei várias folhas todas borradas, cheirando a álcool). Depois foi evoluindo, fizeram-se salas, uma quadra de esportes (horrível, de cimento, só chão) e banheiros novos, grandes, que eu usei talvez duas vezes, porque tinha vergonha, ou medo.

E tinha também a horta, para as famosas aulas de técnicas agrícolas, administradas por meu vizinho Celso, que era muito amigo da minha tia e fumava enroladinho sem parar (mas não durantes as aulas, certamente).

Lá havia a Dona Iara, merendeira, que fazia umas massas com saridnha muito gostosas (só que no fundo do prato ficava uma água sem gosto nojenta). Ela ia de sala em sala, com uma bandeja, um pouco antes do recreio, perguntar quem queria merenda. Às vezes eu queria. Às vezes eu queria e não pedia, porque achava meio chato ficar com um prato sobre a classe nos últimos minutos da aula, os colegas te olhando... Às vezes eu nem queria, mas pegava pra Dona Iara não pensar que ninguém mais gostava da sua comida.

Ela era amiga da minha vó, com quem vendia Avon e Hermes.

Me lembro que no Dia da Merendeira fiz um desenho pra ela, acho que quando estava na segunda série, lá em 1988. Seria Dona Iara na frente de uma panela e um grupo de alunos agradecendo sua dedicação. Bá, deve ter ficado horroroso.

Noro lim, Asfaloth

- Carrega-me contigo.
- Carrego comigo.
- Acho que vou sentir frio.
- É o som do mar que assusta.
- Como ele canta?
- Feridas na boca lembram os beijos.
- E o grito...
- Eu percebi que era um colchão.
- Ruas e avenidas, são todas no chão.
- Mas os jardins podem flutuar.
- Carrega-me contigo.
- Um peso muito grande.
- Eu flutuo nos jardins.
- E Marianne vem correndo.
- óleo. óleo e farinha. Duas xícaras.
- Mas o amor não vem correndo.
- Ele demora.
- Ele manca. E sussurra.
- Assim é dificil escutar.
- Ele sabe, mas mesmo assim sussurra.
- Assim é difícil gritar.
- Ele sabe. Por isso nunca grita.
- Só quando a dor é maior.
- Carrega-me contigo.
- Os sonhos acordam.
- O silêncio sem ele me faz infeliz.
- Tudo me agride.
- Tudo.
- O melhor silêncio é a resposta.

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