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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Cavalgada

Num momento de reflexão enquanto andava de ônibus hoje, percebi que uma de minhas músicas preferidas, a bela Cavalgada, do Roberto Carlos, fala de sexo. Pois é! Nunca tinha me dado de conta, mas é uma reflexão sobre a beleza do ato sexual. E de como é bom fazer sexo com a pessoa amada, quando até o sol espera pra nascer, trazendo um dia que sufoca.
Eis a letra linda:

Vou cavalgar por toda noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida

Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque

Vou me perder de madrugada
Pra te encontrar no meu abraço
Depois de toda cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço

Sem me importar se nesse instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham na manhã
Depois do nosso adormecer
E na grandeza desse instante
O amor cavalga sem saber
Que na beleza dessa hora
O sol espera pra nascer

O odor das canções

Um canal da tv a cabo vende uma coleção de 6 CDs com trilhas do cinema. Canções famosas e outras nem tanto. Cinco vezes de R$ 19,90. São 84 músicas originais, com letras traduzidas. Mas, o melhor: os CDs são aromatizados. Cada um vem com um cheiro diferente. Só não sei quais são os aromas. Imagine só, escutar Pretty Woman, ou I will always love you (Whitney Houston se esgoelando) sentindo um cheiro de amora silvestre saindo do seu CD player...
Quem quiser, o telefone para pedidos é (11) 4152-1515

Ondas na boca

Algas marinhas. Arroz enfeitado, um ramo de hortelã e algas marinhas. Rodrigo sentia o gosto do mar quando comia. Era como mastigar a praia. Rodrigo olhava para Flávia, mas pensava em Joana.

Sentia o gosto da areia, das ondas, do vento que revolvia o cabelo castanho de Joana. E Flávia olhava com admiração seu prato colorido. Falava coisas. Mexia as mãos como os cachorros mexem a cauda. Cabelo curto. Unhas compridas.

Joana tinha cabelos longos e unhas cortadas bem pequenas, como ameixas fora da temporada. Ameixas translúcidas, picantes.

Joana respirava suave e ficava deitada, imóvel, na praia.

A praia ficava na boca de Rodrigo.

Palavra que ofende

Minissérie Anos Rebeldes, de Gilberto Braga. Lá nos últimos capítulos, Maria Lúcia conta para seu marido, Edgar, que ainda ama João Alfredo.

Ela diz que precisava desabafar, precisava de um amigo.



Edgar - Amigo?

Maria Lúcia - Por quê? Você não é meu amigo?

Edgar - Essa palavra me ofende.

sad blue eyes

Hoje meu amigo Eduardo faz aniversário. Fiz uma música pra ele e ele nem sabe. Talvez eu conte um dia. Vai haver festa no apartamento dele. Vai dar um beijo triplo. Talvez consiga o que tanto espera. Mas ele espera algo difícil.

Barata e Lorca

Fui no Beco dos Livros e quando eu tirei a Odisséia da prateleira uma barata caiu esperneando de barriga pra cima no chão. Me afastei e fiquei olhando. Talvez alguém viesse e, espantado, pisasse no inseto e deixasse uma marca verde e marrom no piso. Ninguém notou o desespero dela. Então, chutei-a, ela se re compôs e fugiu.

Comprei Romanceiro Gitano. García Lorca era o que eu precisava ler.

"Minha solidão sem ócio!
De meu corpo olhos pequenos
e grandes de meu cavalo,
não se cerram pela noite
nem olham para o outro lado
donde se afasta tranqüilo
um sonho de treze barcos."

As palavras de García Lorca têm sabor e soam como soam rosas caindo no gramado que nunca foi cortado.

Nem lembro da Carly

hilary_bar.jpg Já que várias pessoas entram aqui procurando foto da Hilary Swank no Barrados no Baile, aí vai a única que consegui encontrar. Nessa época eu já não assistia à série.

história que se ouve

desliza suave e agressiva
faca
rasga e fere e parte e fura
faca
penetra em músculos como em sonhos
faca
abre portas nos tecidos vivos
faca
cala gritos dos corpos limpos
mata
suja as mãos de quem a empunha
faca
faz, impune, de um animal que pasta
vaca
a comida de enfermos que falam
faca
sangue, sangue na lâmina linda
faca
amor não chega perto
faca
amor não chega perto
mata

Num março qualquer

Um calor e a luz entrando estreita na fresta da janela. Tudo calmo. Lá fora, o som da rua chegando discreto. Vozes no corredor. Uma música detestável. Na cozinha, garrafas na geladeira e a panela meio suja aguardando sobre o fogão.
O amor não chegou esta manhã. Ontem também não chegou. Talvez esta semana chegue.
Lagartixas são felizes, quando não são mortas pelos donos das casas. Lagartixas têm grande olhos escuros e são como anjos da guarda. Elas esperam algo. Talvez esperem o amor também.

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