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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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I forgot to take my meds

Pois então, show do Placebo em Porto Alegre, abrindo a turnê no Brasil.

Placebo em Porto Alegre

Antes de tudo, uma constatação: cada show ao vivo é melhor/pior de acordo com quem está à sua volta. Não adianta Frank Sinatra cantando My way na sua frente se tem alguém ao lado pisando no teu pé e gritando “gostoso!”. Por causa disso, há muito desisti de me importar com shows. Porque eu realmente odeio todas as pessoas que estão na platéia.

Outro ponto: Pepsi on Stage é algo a se pensar a respeito. Como já tinha falado aqui, tenho certa dificuldade em entrar no clima lá dentro. Ontem nem foi esse muito um problema, já que eu estava perto do palco e não tinha muitas interferências visuais do local em si. Contudo, comecemos pelo início: quando chegava-se lá, se você tinha ingressos para a pista você não entrava. Antes você tinha que andar uns 60 metros no meio dos cambistas e entrar num corredorzinho de ferro de 1 metro de largura, contra a cerca, e voltar os 60 metros no meio de latas de cerveja jogadas no chão, depois passar por um labirinto de 4 voltas para então, sim, conseguir entrar. Para que isso? Não faço idéia. Nem a metade dos ingressos foi vendida, obviamente não haveria fila, nem tumulto.

Lá dentro, você percebe uma dificuldade: o palco é baixo.

Dito isso, imagine que o show começa. E começa na hora, pontualmente às 22h. Agora imagine que você tem 1,80m de altura e cinco corpos na sua frente está alguém com 1,90m. O palco é baixo, a cabeça dele ocupa metade do vocalista. Agora imagine que a pessoa alta quer gravar pedaços do show com o celular, e levanta a mão com o aparelho luminoso acima de 2 metros e fica com ela lá por vários minutos, várias vezes. A mão dele bloqueia a visão do baterista.

Agora imagine que na sua frente tem um casal. E eles não conhecem Placebo. E eles não sabem nada de nada e não prestam atenção ao que está acontecendo, mas ficam de minuto em minuto cochichando e dizendo gracinhas, a 20cm do teu rosto.

Imagine também que há alguém passando com UMA CAIXA DE ISOPOR NA CABEÇA de 10 em 10 minutos. E ele não apenas passa lá, como passa aqui, e te empurra, e grita bem na sua cara “CERVEJA! ÁGUA! REFRI!”.

Não, assim não é possível se concentrar. Você então olha para o telão, e lá a banda está mais cor-de-laranja que a Vera Fischer, e quando a luz no palco é vermelha, na tela só dá pra ver vultos, tipo a visão do Predador.

Imagine que surge uma brecha para o lado, e lá vamos nós. Agora a visão é bem melhor, não há obstáculos. Porém, imagine que há dois amigos na sua frente, na mesma distância do casal já citado. E eles até conhecem Placebo, mas não dançam, não pulam, não se mexem 1 centímetro sequer, e ficam cochichando coisas a cada 5 minutos. Ok, não é o fim do mundo. Um deles fuma? Hum, pelo menos estamos vendo Brian Molko cantar.

Agora esforce sua mente e imagine que alguém que tem 1,50cm e, obviamente não está vendo nada do palco, de repente suba nas costas do namorado. Ali, na sua frente, bem na hora que toca Speak in tongues. Imagine que você grite, queimando de raiva, “TIRA ESSA VAGABUNDA DAÍ!”, mas eles não escutam, porque estão animados felizes cantando a música e vendo tudo. Imagine-se tentando encontrar algo nos bolsos para atirar nessas pessoas. Nada. Talvez uma moeda de 1 real? Hum, não vale a pena, porque é possível que você erre.

Ok, 10 minutos depois ela desce. E você fica meia hora preocupado, olhando, procurando eles e temendo que isso aconteça de novo.

Não acontece. Agora podemos aproveitar o show.

PLacebo em Porto Alegre

A metade final da apresentação, que foi quando eu realmente consegui assistir algo, foi muito melhor que o show deles em 2005. Principalmente porque o vocalista estava ali com vontade de cantar e de ter alguma conexão com o público.

O melhor momento continuou sendo Special K. Mas momentos marcantes também em Meds (minha preferida – não há como não cantar “Baby, did you forget to take your meds?”), Infra-red, The Never-Ending Why e até Every You, Every Me, que nem é das que eu mais gosto, mas a versão que tocaram foi bem bacana.

Tocaram também uma música inédita, Trigger Happy, que é das melhores para se ver ao vivo, e também foi um momento para se lembrar, com todos levantando as mãos no refrão “Put your hands in the air, and wave them like you give a fuck”. E eu cantando, porque pesquisa é tudo na vida e eu já conhecia.

 

Placebo em Porto Alegre

 

 

No final, tocaram Taste in Men, cuja letra eu incrivelmente sabia. Foi bom, adoro Placebo, escuto sempre suas músicas, e gosto dos últimos trabalhos tanto quanto dos anteriores.

Da próxima vez, irei de novo. Mas atrás. Ficando longe o stress é menor. No show do Seal, também no Pepsi on Stage, eu estava lá fotografando, mas percebi que se você fica mais atrás você pode até não ter aquela visão, mas fica bem mais à vontade.

 

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