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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Rock and roll all nite

Estava lendo esta notícia sobre o show do Kiss em São Paulo e fiquei lembrando do show do Kiss que eu presenciei em 1999. Achei estranho nunca ter escrito sobre o show aqui no blog antes (pesquisei avançadamente no Google), somente me referindo a ele quando falei do Rammstein.

Bom, eu tinha 18 anos e morava em Pelotas, tendo antes morado minha vida toda em Rio Grande. Tinha ido a apenas 1 show decente na vida: Titãs no ano anterior. Era um ano - 1999 - em que eu estava parado, pois havia trancado a faculdade (jornalismo, UCPEL) e não tinha nada pra fazer a não ser pensar no que eu faria. Ia na fonoaudióloga toda semana e não tinha dinheiro para nada. Mas estava deprimido, querendo aventuras. Então combinei com a fono de atrasar o pagamento dela para poder ir a Porto Alegre ver o Kiss.

Não, eu não gostava exatamente da banda. Pra falar a verdade, não sabia nenhuma música deles e só conheci alguma coisa na época de promoção do show, pois a Atlântida ficava tocando 30 vezes por dia uma nova deles (Psycho Circus, se não me engano, que deveter sido o nome da turnê) e umas velhinhas também.

Comprei então o ingresso e passagens numa agencia de turismo que ia fazer uma excursão ao show. Eu nunca tinha ido a Porto Alegre (a não ser levemente em 1994, indo pra Gramado). No ônibus, pessoas malucas bebiam, gritavam, xingavam quem passava na rua, um horror. Mas acho que isso é normal.

O show era no hipódromo. Na entrada ganhava-se um mini-desodorante amarelo da Rexona. E, claro, óculos 3D. Havia 2 telões que, diziam, iam transmitir imagens em 3D em alguns momentos. Eu fiquei longe do palco (digamos, atrás de umas 10 mil pessoas) e por isso talvez minha percepção 3D não tenha funcionado bem. Mas enfim, ganhei de brinde uns óculos de papelão, com desenhos da banda, que ainda tenho (devo ter, quero dizer, em algum lugar).

Na abertura, então, tocou Rammstein, cuja música nova a Atlântida também estava promovendo na época (Du Hast). Um show terrível, porque era muito sinistro e eu tinha 18 anos e estava sozinho no meio de milhares de pessoas que eu achava que iam todos virar parte de uma seita satânica e me mutilar. Mas passou.

O show do Kiss me marcou porque o vocalista ficava repetinto "Allright, Porto Alegre!", porque tinha muitos efeitos (a gruitarra voava, o vocalista voava, tinha fogos de artiício e, claro, Gene Simmons cuspindo sangue) e porque eu não sbaia cantar nada. Tentei cantar Rock and roll all nite, mas eu não sabia nem o refrão e cantei tudo errado.

Ao meu lado, sempre pessoas problemáticas: um cara entrando em coma alcoólico, uma guria baixinha que ficava pulando pra ver algo, uns fumando sem parar etc... Mas foi tranqüilo.

Na volta, me perdi. Quando saí do ônibus, eu marquei: o ônibus está perto desta árvore, perto desta cerca. Só que haviam 200 ônibus, 200 àrvores e a cerca era gigante. Fiquei aproximadamente uma hora vagando pelo estacionamento,até me lembrar que, talvez, era para o outro lado. E era. Só faltava eu, o responsável pela excursão estava nervosíssimo.

Chegando de volta em Pelotas, peguei um táxi para ir pra casa. O taxista tinha uma Zero Hora com um pôster do Kiss e eu pedi para ele. O pôster não tenho mais, e ainda não gosto do Kiss. Mas foi uma experiência importante para mim na época.