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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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A Casa de Quartos - Parte 1: Descoberta

Pois estava a pensar sobre algo decente para escrever, lembrei-me de meus tempos de pensão e quis escrever sobre isso, especialmente para que eu não perca essas lembranças e que, assim, colocando-as neste papel virtual, eu possa também liberar o espaço que ocupam em meu cérebro para outras coisas.

 

Era 2000 e eu deveria me mudar para Porto Alegre a fim de estudar na UFRGS. O que faria eu, sem parentes ou amigos aqui e sem dinheiro para alugar apartamento? Morar em pensão, claro.

 

Vim de carro com minha mãe e meu padrasto e percorremos algumas ruas aqui do centro atrás dos lugares com anúncios no jornal. Cada coisa pior do que a outra, um horror. Tinha de tudo: 3 beliches num quarto abrigando trabalhadores de indústrias e migrantes nordestinos, onde eu teria a chave do meu armário para guardar o que eu quisesse (pelo tamanho, no máximo caberiam 2 latas de atum e um sabonete); um quarto que eu dividiria com um rapaz "muito bom e trabalhador", que só chegava à noite - o que não era de todo mal -, mas na sala havia pessoas tão estranhas (um velho semi-hebefrênico e um guri capeta e feio) que saímos de lá correndo, apesar de a dona do lugar aparentar ser boa gente; um apartamento bonito, na Alberto Bins, onde eu viveria com outros 5 ou 6 estudantes, sempre sendo fiscalizado pela dona do local, que morava em frente e dizia ser muito atenciosa para com todos (imaginei que ela tirava casquinhas sexuais da rapaziada). E eu, apavoradíssimo com tudo, pois nunca em minha vida tinha estado no centro de uma cidade com (bem) mais que 300 mil habitantes.

 

Então telefonamos para um número de outro anúncio e atendeu aquela que eu viria a conhecer como Dona Ina. Fomos no apartamento dela, ali na Protásio. Ela explicou que alugava quartos numa casa muito boa, onde só se hospedavam pessoas de nível, "até um padre" morara lá, mostrou umas fotos, falou coisas engraçadinhas... Pela problemática dos lugares que havíamos visitado, achamos prudente ir conhecer. Só que não era perto. Ou melhor, era quase no fim da cidade. Lá no Morro Santana, mais próximo de Viamão do que de Porto Alegre.

 

Era uma casa enorme, vários quartos (sete), dois deles resultantes de paredes de madeira construídas nas duas salas de estar. A vista era linda. Como ficava na parte elevada do morro, dava para ver um bom pedaço da zona leste da cidade, apesar de não ser possível apreciar o pôr-do-sol, pois a frente era voltada para o norte. A cozinha era enorme, o banheiro era grande também, o quintal espaçoso e com um jardim interessante, e havia um exótico pedaço do morro elevando-se a partir da área atrás da construção, cheio de plantas e pedaços de rocha.

 

O local era muito bom realmente, naquela hora estava vazio, e havia o melhor: a dona e sua filha, Vera, que nos acompanhava também, moravam há quilômetros de distância. Ou seja: sem patroas para ficar incomodando. Apesar da longa distância que me separava da Ramiro Barcellos, onde eu passaria a estudar, aceitei ficar lá. Quinze dias depois saí de Pelotas e me mudei para a tal casa. E então coisas começaram a acontecer.

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