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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Escalada

Eu tinha um texto enorme, dividido em duas partes, que eu publicaria aqui falando sobre Cidadão Brasileiro. Mas deixei para editar mais tarde e acabei me cansando demais e achando desnecessário. A novela acabou há quase uma semana já, e foi bastante boa. Principalmente por diferenciar-se das produções de atmosfera blasé que a Globo apresenta ultimamente. E por trazer grandes desempenhos de atrizes que eu nem pensava que seriam capazes de se destacar em alguma coisa na vida, como Paloma Duarte. Ela era a protagonista feminina, e estava excepcionalmente bem - além de muito bonita. </p>

Assim como ela, outras mulheres fizeram com que a novela tivesse graça o tempo todo: Lucélia Santos (e sua prosódia indescritível), Carla Regina (a melhor atriz off-Globo – belíssima, com suas camadas de maquiagem), Luiza Thomé (sem sensualismo barato), Françoise Fourton (que eu tinha esquecido que existia), Bárbara Bruno (a cara da irmã, Beth Goulart, só que com menos gengiva), e até Danni Carlos, que deu uma atmosfera toda diferente pra novela.

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Luiza Thomé, aliás, protagonizou a melhor cena dramática dos últimos tempos, quando sua filha, morta por militares na guerrilha do Araguaia, foi arrancada dos seus braços pelos assassinos, no meio da floresta. Sensacional. E ela, cuja personagem já beirava os 60 anos, foi torturada, andava sem maquiagem, cabelo em rabo de cavalo com aparência de sujo, olheiras, camisetinha de algodão. Se em algum prêmio de interpretação que tiver por aí (e existe pelo menos um que não é da Globo) a ganhadora for Glória Pires, pode acreditar que é marmelada.

A novela teve suas idiossincrasias. Por exemplo, os personagens desapareciam de uma hora para outra. Durante uma, duas, três semanas, certos personagens dominavam a novela com suas histórias que, de repente, se resolviam (ou não) e eles sumiam, voltando a aparecer um mês depois (incluindo aí os protagonistas). Isso pode ser encarado até como algo bom, mas às vezes eles não apareciam mais, como o pessoal que morava no interior, onde iniciou a novela, que foram esquecidos pelo autor, Lauro César Muniz. Talvez para isso tenha contribuído a certa polêmica que resultou da emissora do bispo estar mostrando um casamento entre um homem, uma mulher e outro homem (!), todos amando-se entre si na boa. De qualquer forma, não deveriam ter desaparecido.

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Mesmo assim, gostei do resultado final. Foi uma novela que conseguiu, indo de 1955 a 1978 (e daí pulando para 2006), estabelecer alguns temas que foram tratados com profundidade e maturidade, sempre bem dirigida, com uma bela cenografia e caracterização de personagens. O protagonista, Gabriel Braga Nunes, foi quase sempre excelente, inclusive engordando uns 10 quilos para - imagino - dar uma envelhecida perceptível na tela. É uma pena que a novela, apesar de alcançar em média 11 pontos de audiência, não tenha tido muita repercussão na mídia, já que as revistinhas preferem ficar dando manchetes que envolvem aquelas chatices que a Globo está passando.

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