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obnubilado

Blog que ainda existe, apesar do tempo.

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Apertem os cintos, a baleia sumiu

Bom, depois de ter dores de cabeça por causa do frio pornográfico, vou responder o que a Maristela me propôs e a Márcia ratificou. O que estou lendo, pois?

Após passar pelas centenas de páginas do livro sobre o Roberto Carlos, retornei para Moby Dick. Leio Moby Dick há meses. Geralmente eu leio mais de dois livros ao mesmo tempo, por isso demoro para acabar algum, mas no caso de Moby Dick eu demoro mesmo porque ele é enorme, e porque chegou numa certa parte que eu pensei que o cara tava me fazendo de bobo. Estou na página 588 e a baleia ainda não apareceu; em compensação o autor esbugalha-se de tanto fazer descrições. E descrições técnicas e científicas.

Durante capítulos infindáveis ele descreve todas as espécies de baleia (que ele pensava ser um peixe), fala sobre barcos, sobre cores, sobre a profissão de baleeiro, especificando todos os postos de trabalho com detalhadas explicações, depois ele inventa de descrever todas as ferramentas usadas na caça à baleia, e, ainda, descreve tudo o que envolve a morte das baleias, e tudo o que ocorre depois. Ele não diz só "amarraram a baleia no barco e tiraram a sua gordura, para derreter". Não, ele descreve timtim por timtim tudo o que acontece. Tudo. Tudo. E então, começa a dissecar uma baleia, por dentro e por fora: fala sobre ossos, músculos, cavidades, qualidades de gordura, tipos de cabeça. E tudo isso sempre entremeados por capítulos históricos, falando sobre cientistas que estudavam cetáceos, ou sobre os primeiros barcos baleeiros, ou sobre as cidades dos principais portos, ou sobre as ilhas do Oceano índico, ou sobre os usos da gordura do cachalote.

Essas coisas todas (quase) sempre dentro da história do navio baleeiro que sai numa viagem de 3 anos para caça, só que, quando já está em alto mar, a tripulação se vê participante da obsessão do capitão Acab em capturar a baleia branca, Moby Dick, que meses antes comera-lhe a perna. Mas, como eu disse, até a página 588 a baleia ainda não deu as caras.

Apesar de qualquer coisa, o livro não é nada menos do que genial, é sempre um prazer lê-lo.

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