Queimaria Jorge Fernando com fósforos Fiat Lux se eu pudesse, um a um. Mas tenho que admitir que a novela que ele dirige é a mais interessante no horário das 19h desde... sei lá, A Viagem, talvez. Esta semana foi ao ar uma das melhores cenas de todos os tempos. Veja aqui. Ignore Marcos Pasquim e espante-se com o macaco (pode pular direto para o minuto 7).
Existem dois macacos em Caras&Bocas. O real, e o dublê, que é um homem em uma fantasia tenebrosa. Agora li este texto na Patrícia Kogut:
"Isabelle Drumond, David Lucas e Miguel Rômulo não contracenam com o animal, mas são tão bons que o truque de edição convence. Xico tem um dublê em algumas sequências, e, embora às vezes fique difícil de disfarçar, a plateia já está ganha para a trama."
Que eles são bons eu não duvido. Agora, se ela viu truques de edição convencendo alguém, só se foi na casa dela. É tão horrível quando tem o dublê do macaco que eu sempre acho que ele vai tirar a máscara e gritar "Wake up, Donnie!" ou "Você está na pegadinha do malandro!"
De qualquer forma, apesar do falso macaco, a novela tem uma história cativante, personagens marcantes e alguns bons diálogos, que às vezes pecam pelo excesso de bordões e expressões forçadas. O toque de Jorge Fernando está, claro, nos pontos positivos, mas está mais marcadamente nos pontos negativos. Não conseguir - ou não se importar em - fazer um dublê de macaco minimamente convincente de costas é um grande erro, creio. As cenas perdem a mínima credibilidade. Além disso, seqüências com exagerada comicidade, atores que não se esforçam o mínimo pra dizer o texto (alguns estão muito ruins), e sua mãe fazendo um papel semi-inexistente marcam a sua direção.
Tenho que elogiar Walcyr Carrasco, que diz coisas sem noção no Twitter, mas consegue escrever uma novela atual, engraçada e diferente, conseguindo bastante sucesso, apesar do diretor.
Quando eu era pequeno me lembro de ver Mercedes Sosa no Galpão Crioulo. Grande, sentada, com seu poncho e seu tambor, cantando com sua voz enorme. Sempre achei ela linda, é uma pena que não poderei nunca vê-la cantando ao vivo.
Tenho dois LPs seus, um em que ela canta Atahualpa Yupanqui, e outro, um de seus mais conhecidos - e meu preferido -, em que ela intrepreta as canções de Violeta Parra.
Fui no Youtube ver alguns vídeos - que é o que parece que as pessoas fazem hoje em dia quando morre alguém famoso, assim como se folheam os álbuns fotográficos quando morre alguém da família - e encontrei vários registros muito interesantes. Compartilharei aqui dois dos que eu mais gostei, o primeiro uma apresentação mais ou menos recente de Todo Cambia, em que ela inclusive dança no palco. E o outro acredito que seja nos anos 70, em que ela, belíssima e expressiva como nunca, intrepreta Gracias a la vida.
Wanderléa, 40 anos depois, revê conceitos:
Em 1968, uma prova de fogo era: "Atravessar a rua Augusta montada numa (moto) Ducati 350, numa boa."
Em 2009, uma prova de fogo é: "Transitar por S. Paulo sem ser atropelada pelas motos que infestam as ruas."
(Na interessantíssima revista Serafina, da Folha de São Paulo, 25/09/09).
Inventei cá eu de fazer uma receita que eu vi em um vídeo no iTodas, do UOL. Ensinado por Juliana Motter, a receita parecia muito legal, principalmente olhando-se o resultado final a que ela chega no vídeo. Mas era tudo mentira. Ela não faz a mesma receita que ensina, contrariando anos e anos de ensinamentos de Ana Maria Braga e afins. Escrevi um e-mail indignado para ela, porque quando alguem se propõe a fazer um prato novo é porque acredita que vai dar certo, investe seu tempo, dinheiro e paciência naquilo e, se é um desastre, realmente dá muita vontade de esculhambar quem "ensinou" a receita. Agora eu olho aquela panela ainda cheia de arroz preto e empaçocado e me dá vontade de jogar no lixo, porque realmente não tem muito mais o que fazer.
Olá Juliana, é o seguinte: vi você ensinando uma receita de arroz doce de chocolate no UOL. Achei a receita interessante e fui fazer. Mas obviamente não deu certo, sabe por quê? Porque você ou passou a receita errada ou queria fazer as pessoas de bobas.
Primeiro: no vídeo você não faz a mesma receita que você está ensinando. Você usa uma mixaria de arroz e o resultado final da receita nem chega no meio da panela. Se você estivesse usando os mesmos ingredientes que você passou (como eu usei) a panela teria ficado cheia, muito cheia.
Segundo: NUNCA meio quilo de arroz vai cozinhar com 4 xícaras de leite. Meio quilo dá umas 2 xícaras e meia de arroz. Se eu estivesse fazendo arroz normal, para ficar macio - e sequinho - teria que usar umas 5 xícaras de água. Em arroz com leite o objetivo não é ele ficar sequinho, e sim cremoso - e macio. Usando sua receita o que eu consegui foi uma panela cheia de arroz cru. Quando eu vi que isso ia acontecer acrescentei mais 2 xícaras de leite. E assim foi possível fazer o arroz cozinhar, mas sem fiar macio, ficou consistente mas com uma textura até interessante. OK. Isso quando quente, que ainda estava cremoso. Quando esfriou ficou um horror. Agora tenho uma panela cheia (que serviria umas 10 pessoas) para duas pessoas comer, de um arroz duro, seco e feio, além de não ser doce, porque a quantidade irrisória de açúcar não fez quase nenhum efeitoadoçante.
Acho que você não deveria colocar sua cara pra ensinar a fazer uma receita que não é a correta, especialmente enganando as pessoas ao fazer no vídeo uma outra receita que dá certo (e certamente usando menos da metade da quantidade de arroz).
Agora, se você usou um arroz mágico na sua receita, que cozinha meio quilo em 4 xicaras de leite e não fica cru, duro e horrível, deveria ter dito no vídeo. Quando você coloca sua cara e seu nome em algo você também está colocando em jogo sua credibilidade. E agora realmente para mim e para todas as pessoas que fizeram a receita sua credibilidade como culinarista está um lixo.
abraços,
Ederson
Estava cá lendo a revista Men's Health do mês passado, pois queria só saber do que tratava a matéria cuja chamada na capa é "Soja: fuja dessa cilada". O texto é traduzido da versão americana (imagino) da revista, e traz como imagem de abertura um homem com cara de assustado vestindo um sutiã de soja. Isso porque, segundo a matéria, homens que comem soja tem sério risco de desenvolver seios e ficar impotentes. Todo o texto é cheio de "talvez", "se", "provavelmente", "isso não prova causa e efeito" e outros poréns que completamente desabilitam toda a matéria, mas fingiram que não perceberam. A reportagem começa falando de James Price, um homem que teve ginecomastia (aumento significativo dos seios, como o Bob de Clube da Luta) e ficou com o pênis completamente flácido e depois de vários exames descobriram que ele tinha altos hormônios femininos no sangue e associaram isso ao leite de soja que ele tomava: três litros por dia! Ora, se eu tomar 3 litros de qualquer coisa por dia, com certeza vou ter alguma reação. Ainda mais se - e isso não é sequer sugerido na matéria - se for feito com produto transgênico e com conservantes/aditivos químicos na composição.
Mas, como disse uma das integrantes do Studio Pampa, "é bacana esse lance de ler". Além de revistas picaretas tenho lido algumas coisas boas também. Mês passado acabei de ler "O som e a fúria", do Faulkner, que me rendeu várias semanas de sufoco intelectual, mas que no fim foi uma grande e incomparável experiência literária. Depois peguei na biblioteca "Cartas de um sedutor", da Hilda Hilst, que me surpreendeu com a linguagem quase pornográfica que ela usa (é uma das obras que compõe a sua trilogia obscena), e com a interesessante idéia de narrativa, embora o fato de ela se colocar demais nas idéias do narrador que não é ela me desagradou por vezes (Philip Roth, por exemplo, faz isso com muito mais sutileza).
Enfim, comprei dois livros de fotografia. Um deles, "The seventies in pictures", tem, obviamente, imagens mostrando momentos marcantes dos anos 70, com um pequeno texto dando informações básicas sobre o assunto. Já aprendi várias coisas sobre história contemporânea. Nem todas as fotografias são exatamente muito boas, e nenhuma tem o nome do fotógrafo, apenas o crédito para o banco de imagens (o que é terrível), mas não deixa de ser, quase sempre, bastante interessante.
O outro é "Cartas a um jovem fotógrafo", do Bob Wolfenson, que recém iniciei a ler e não tenho nada para falar a respeito por enquanto.
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